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Aconteceu Aqui...: Os métodos de ensino propostos por Claude-Henri Gorceix

  • Publicado: Terça, 14 de Mai de 2019, 17h02
  • Última atualização em Quinta, 16 de Mai de 2019, 18h32

A Escola de Minas de Ouro preto, fundada em 12 de outubro de 1876, por iniciativa de Dom Pedro II, contou com o apoio do professor francês Claude-Henri Gorceix, sendo este o fundador e primeiro diretor da instituição. Gorceix utilizou como modelo o curso da Escola Normal Superior de Paris. Entre as ações propostas, citam-se: os alunos deveriam cumprir frequência obrigatória durante as aulas, os professores teriam o direito de residir na Escola e o período letivo seria composto por 10 meses, com férias entre 15 de junho e 15 de agosto. Seriam aplicadas avaliações semanais, além de excursões e trabalhos práticos, ministrados aos finais de semana. Ademais, os professores deveriam ser bem pagos.

Na data de 12 de outubro de 1876, foi assinada a ata que deu como instalada a Escola de Minas. Apesar de todo o otimismo inicial, existiram críticas sobre a criação da Escola, às quais Gorceix rebateu de maneira veemente, como, por exemplo, no trecho a seguir:

"Os princípios matemáticos, as leis da Física e da Química, a Mecânica Celeste, os tratados de Medicina e de História Natural, enfim, todas as formas de ciência estão em constante evolução. É justamente partindo do ponto de chegada do seu predecessor que o cientista consegue dar impulso às novas ideias, aos novos conceitos que venham substituir aqueles que não foram comprovados pela experimentação. (...) Sustento, pois, a opinião de que o estudante não deve passar o tempo todo com o nariz enfiado em grossos compêndios e sim vestir o avental, sujar as mãos e transferir o estudo dos livros para o estudo da natureza. (...) Todas as transformações que visam ao progresso e ao aperfeiçoamento moral do homem ocorreram em todos os tempos e lugares por imposição da própria sobrevivência da espécie humana com a aplicação daquilo que de mais importante e maravilhoso lhe foi outorgado - a inteligência. Não se cultiva a ignorância nem se abomina o progresso, de outra forma o homem estaria ainda vivendo nas cavernas."

Gorceix também idealizou o mote em latim da escola: "Cum Mente et Malleo", isto é, “Com a Mente e o Martelo”, retratando os ideais empregados pelo francês na nova Escola, uma vez que a mineralogia deveria ter a boa formação teórica aplicada à prática da pesquisa, simbolizada pelo martelo.

Desde sua fundação até os dias atuais, a Escola protagonizou vários eventos, sendo alguns um tanto inusitados, como, por exemplo, o fato de dois grandes cientistas brasileiros serem reprovados nos exames de admissão da Instituição: Santos Dumont e Carlos Chagas. O primeiro teria sido reprovado no Curso Fundamental da Escola e alegou não ter se adaptado ao seu "ensino rigoroso", enquanto Carlos Chagas teria sido reprovado no exame de admissão após passar pelo referido curso preparatório.

Por outro lado, na Escola, uma sólida e respeitosa amizade foi criada entre alunos e professores, e as palavras do diretor, ditas então como a profetizar o caminho a ser seguido pela Instituição, logo puderam ser sentidas como realidade:  trabalho constante, o método científico sendo desenvolvido nos livros e na pesquisa na Escola, em casa e no campo.

 

Matéria Redigida por:

Carolina Rodrigues Vasconcelos e Lucas César Barbosa

 

Fontes:

DEQUECH, David. Isto Dantes em Ouro Preto. Belo Horizonte, Editora Minas Gráfica, 1984.

ÚLTIMO SEGUNDO. Livro resgata a Escola de Minas, que barrou Santos Dumont e Carlos Chagas. Disponível em: <https://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/mg/2013-04-24/livro-resgata-a-escola-de-minas-que-barrou-santos-dumont-e-carlos-chagas.html > Acesso em 10 de maio de 2019

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