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Projeto arquitetônico de alunos do DEARQ pode ser viabilizado em BH

  • Publicado: Quarta, 06 de Junho de 2018, 09h29
  • Última atualização em Quarta, 06 de Junho de 2018, 10h22
imagem sem descrição.

Trabalho acadêmico de requalificação do Mercado Distrital de Santa Tereza, no bairro do mesmo nome, em Belo Horizonte.

 

Publicado por Caio Henrique Duarte Gonzaga

 

O projeto foi desenvolvido, em 2017, durante as aulas da disciplina de Planejamento Urbano e Regional 2 do curso de Arquitetura-UFOP, ministrado pela professora Karine Carneiro. A proposta previa a elaboração pelos alunos de projetos de baixo custo baseados nas especificações da formulação de plano de negócios para o Mercado Distrital de Santa Tereza, sob a responsabilidade do coletivo Movimento Salve Santa Tereza. O plano de negócios foi uma exigência do prefeito Alexandre Kalil, de Belo Horizonte, para que o espaço do Mercado Distrital fosse administrado pela comunidade.

 

Os projetos foram apresentados pelos alunos e um deles, por melhor atender às necessidades do Movimento Salve Santa Tereza, foi “adotado” pelo Coletivo, que tenta viabilizá-lo.

 

Assim, o grupo de alunos responsável por este projeto, formado por Renata Hosken, Letícia Rossetti, Aline Martins, Tayami Fonseca, Igino de Oliveira e Mariana Lujan, foi convidado pelo movimento Salve Santa Tereza, a fazer um melhor detalhamento do mesmo. Os esforços do grupo, junto com o Coletivo, estão concentrados em atender as exigências técnicas para que seja concedida pela prefeitura de BH a utilização do espaço pela comunidade.


Detalhes do projeto

 

Igino de Oliveira, integrante do grupo explica que “a proposta inicial era exercer o mínimo de intervenção, com o menor custo. A ideia era trabalhar os espaços já existentes com uma nova pintura externa e interna e focar em melhorias nas áreas molhadas (banheiros e cozinhas). O plano de ação prevê uma mão de obra por mutirões nas pinturas e doações de empresas para o material necessário, como tintas, rolos e lixas. Já nas áreas molhadas, aconselhamos a revisão do projeto no local, quais louças já existentes para redução de gastos e quais não estavam ainda instaladas”.

 

Para resolver o problema da falta de acessibilidade no local foi proposta uma plataforma elevatória com acesso ao segundo pavimento. Foi definido ainda um estacionamento para aproveitar o fluxo de carros que já existia no acesso de carga e descarga, que foi implantado na antiga quadra com 22 vagas.

 

 De acordo com Igino, foram feitos todos os desenhos de paginação e novos mobiliários, utilizando as próprias caixas de feira, para as áreas externas ao mercado. O grande diferencial do projeto é a diversidade de atividades que poderiam ocorrer no mercado, propondo um uso diurno e noturno.

 

Professora Karine Carneiro fala sobre o projeto

 

Na entrevista abaixo, a professora Karine Carneiro explica o porquê da participação dos alunos na elaboração de um projeto específico para um Mercado em Belo Horizonte.

 

E.M: Como surgiu a ideia deste projeto para o Mercado Distrital de Santa Tereza em Belo Horizonte? 

Prof.ª Karine Carneiro: Surgiu da necessidade de aproximar o corpo discente dos problemas contemporâneos, que envolvem a produção do espaço nas cidades. E a disciplina Planejamento Urbano e Regional 2, do curso de Arquitetura e Urbanismo, tem se dedicado a fomentar o intercâmbio entre universidade e movimentos vinculados às lutas territoriais nas cidades.

Nesse caso específico, a proposta surgiu por demanda do movimento Salve Santa Tereza, que, desde 2013, procura formas de viabilizar a reabertura do Mercado Distrital de Santa Tereza, a partir de uma construção coletiva com os moradores e comerciantes do bairro e com a criação de uma rede de apoio. Essa rede conta com a participação de outros movimentos sociais, universidades e coletivos urbanos (artísticos, agroecológicos e culturais).

 O primeiro trabalho da disciplina junto ao movimento Salve Santa Tereza, no contexto de atividades de ensino, permitiu o enfrentamento de uma solução para um problema espacial urbano baseado na realidade e nas necessidades da comunidade. Tal fato propicia aos alunos um exercício real de projeto que, para além de cumprir os objetivos da disciplina, contribui para o papel da universidade publica ao promover conhecimento que extrapola os limites da sala de aula.

E.M: De que forma os alunos tomaram conhecimento do espaço e de suas demandas? 

 Prof.ª Karine Carneiro: Os alunos tomaram conhecimento da proposta por múltiplos meios (jornais, facebook, artigos acadêmicos e na própria sala de aula), já que a atuação dos movimentos de luta territorial nas cidades brasileiras tem sido essencial para o estudo da problemática urbana.

Desde o movimento Ocupa Estelita, em Recife, até o Cais Mauá de Todos, em Porto Alegre - passando por diversos outros contextos e cidades -, as universidades têm se aproximado de tais problemáticas, por meio de uma atuação acadêmica, para colaborar com a garantia da função comum e pública dos espaços públicos das cidades junto às comunidades envolvidas.

E.M: Quais foram as diretrizes para o projeto?

 Prof.ª Karine Carneiro: O programa de necessidades a ser cumprido pelo projeto, no âmbito da disciplina em questão, buscou atender a proposta coletiva criada pelo próprio movimento Salve Santa Tereza,  que, com base em metodologias participativas, a construiu juntamente com a comunidade.

Desse modo, a postura dos grupos de alunos foi a de, a partir das próprias demandas do movimento, criar propostas de soluções espaciais que possibilitassem e corroborassem com os anseios da comunidade em termos de usos e apropriações. Desse modo, a proposição deste espaço visa tanto contribuir para a manutenção dos espaços públicos da cidade como realmente públicos, quanto para reforçar a construção coletiva e participativa de um bem público.

E.M: Quantos projetos foram feitos para o mercado nesta disciplina?

Prof.ª Karine Carneiro: No primeiro semestre de 2017, foram desenvolvidos sete projetos que foram entregues ao movimento. Após verificar as possibilidades de implementação, a partir de suas demandas atuais e dos processos de negociação junto à prefeitura de Belo Horizonte, um dos projetos foi selecionado para ser o que representará os anseios do Mercado Vivo + Verde a partir deste ano. O objetivo é que este projeto seja executado em breve se, conforme a promessa do prefeito, o Mercado for entregue à comunidade.

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